cultura árabe

Receita de Pão Árabe da Bisa

Esta semana deu aquela esfriada típica de junho aqui em São Paulo, e nossas casas costumam ficar muito geladas. Para dar um jeito nisso, nada melhor que por a cozinha para funcionar o dia todo, e uma das melhores formas é acionando o forno e fazendo pães.

O pão árabe (algumas pessoas aqui no Brasil chamam de pão sírio e também é chamado em alguns lugares, como na Grécia, de pão pita) é uma receita fácil, deliciosa e super versátil.

Eu aprendi essa receita e forma de preparo com a avó de meu marido, bisavó de minha filha. Eles são libaneses. A bisa nunca comprava pão, fazia semanalmente em casa numa recita que é o dobro desta que passarei (esta rende em média 1 dúzia de pães), e muitas vezes duas vezes por semana dependendo da demanda. Claro que como uma boa matriarca, ela nunca revelava os totais segredos, mas eu ficava com minhas antenas sempre ligadas para descobrir os “pulos do gato”. Alguns descobri observando, outros foi no erro e acerto mesmo, o importante é não desistir, se não der certo na primeira, tente de novo, e com a prática você vai pegando o jeito. Observe sempre o comportamento da sua massa, e quando descobrir detalhes que fazem a diferença, anote para não esquecer numa próxima vez, acredite, dá certo e vale muito a pena pois é muito mais saboroso que os comprados prontos.

Então vamos lá:

Ingredientes:
+ ou – 1kg de farinha de trigo tipo 1 de qualidade
100ml de leite
100ml de água
1 colher cheia de sopa de açúcar
1 colher de azeite ou manteiga derretida
2 tabletes (30gr) de fermento biológico
sal a gosto

Modo de preparo:
Antes de qualquer coisa, coloque a grade do seu forno no primeiro nível e acenda-o para ir ficando bem quente e esquentando a cozinha. feche portas e/ou janelas que façam correntes de ar, massa não gosta disso.
Esfarele o fermento e reserve. Numa vasilha de preferência de vidro aqueça o leite, a água e o açúcar já misturados (geralmente uns 50 segundos). Deve ficar morno, mas não quente.
Dissolva o fermento com os dedos totalmente nessa mistura e reserve até dar uma crescida, formar umas bolhas.
Enquanto a mistura anterior está reservada misture numa vasilha 1/3 da farinha, eu já costumo salgar nesse momento, e jogue o azeite ou manteiga.
Acrescente a mistura do fermento e comece a misturar com uma colher de pau, vá adicionando farinha até ter que colocar as mãos. Então retire da vasilha e numa superfície polvilhada com farinha faça a sova da massa, adicionando farinha até dar o ponto de desgrudar das mãos mas sem ficar seca. Sove bem, por no mínimo 5 min, volte a massa para a vasilha enfarinhada e deixe descansar por aproximadamente 20 a 30min (até crescer).
Volte a massa para a mesa, tire o ar dando uma leve amassada e faça um formato de linguiça. Divida em aproximadamente 10 a 12 porções, faça bolinhas e as abra com as mão e a ajuda de um rolo formando os discos de pão.
Coloque-os em assadeiras levemente polvilhadas e deixe descansar por uns 15 min.
Asse até dourar. Se estiver bem feitinho, eles vão formar balões.

Retire do forno e coloque-os sobre um pano para esfriar. Já estão prontos para serem consumidos.
Depois de bem frios você pode guardar bem fechadinho em sacos de freezer que dura uma semana aproximadamente e dá para fazer uso de várias formas, basta criar!!

Prove com coalhada seca, sal e azeite, é delicioso!! veja a receita aqui

OBS: O pão folha também pode ser obtido desta receita, é só abrir bem fininha algumas das bolinhas de massa e assá-las em uma chapa bem quente na boca do fogão, fica fantástico!

Receita de Esfiha, clique aqui

Sahten!!!!
por Cristina Antoniadis
em homenagem à Wadia Bayeh, que faleceu em fevereiro de 2015

Receita de Coalhada (seca ou não) – O verdadeiro iogurte grego!

Nada mais gostoso nestes tempos de verão que um delicioso iogurte!! É saudável, saboroso e refrescante, e o melhor, super versátil podendo ser utilizado de diversas formas na nossa cozinha!

Esta receita aprendi com meu pai (de origem grega e nascido no Egito), cresci observando ele fazer, e não não via a hora de chegar o dia seguinte para poder comer num potinho com mel ou então com sal e pepino, bem a moda grega!

O iogurte é uma das iguarias mais antigas, uma maneira descoberta pelos povos antigos de preservar o leite e é muito popular nos países do Oriente Médio. É a base para diversos pratos como a coalhada seca, o tzatziki (patê a base de iogurte e pepino), o chancliche (um tipo de queijo) entre outros.

Simples de fazer em casa, esta receita rende bastante e dura cerca de 20 dias na geladeira. Preparados??

INGREDIENTES:
3 ou 4 litros de leite integral
1 pote de iogurte natural
paciência e disposição, rssss

MODO DE FAZER:

INSCREVA-SE

Coloque o leite numa panela na qual não sobre muito espaço e ponha para ferver. Após levantar fervura espere amornar e retire a nata que se forma, a temperatura ideal é quando colocamos o dedo (bem limpo é claro) e sentimos bem quente mas sem queimar, isso seria por volta de 60graus que é a temperatura ideal para os lactobacilos se reproduzirem. Já separado e levemente mexido num recipiente a parte estará o pote de iogurte a temperatura ambiente, misture-o ao leite morno, mexa um pouco e ponha a panela para “dormir”.
Tampe bem a panela e guarde-a em local livre de correnteza e balanços. Cubra-a com uma toalha e se tiver frio, com uma coberta, quanto mais manter a temperatura da panela, melhor ficará a coalhada.
Após aproximadamente 10h de descanso o iogurte estará pronto, é só guardar na geladeira!!
IMPORTANTE: não pode mexer ou balançar depois que cobriu, senão desanda.

Para fazer a coalhada seca, pegue uma porção do iogurte e ponha para escorrer o soro em coador de café, pode ser aqueles filtros de papel ou então aqueles sacos de pano para maiores quantidades. Após aproximadamente 2h você obterá a coalhada seca, excelente para consumir com sal, azeite e pão.

DICAS:
1) Se a sua ideia é fazer a coalhada seca, não seque tudo de uma vez pois a coalhada conserva melhor com o soro.
2) Você pode bater o iogurte no liquidificador com frutas, fica uma delícia e super natural.
3) Dá para usar como base de molhos de saladas, para temperar carnes e deixá-las mais macias especialmente o frango e também para consumir ao natural, com açucar, com mel, frutas e o que a criatividade permitir.
4) Há também diversas receitas de pães, bolos e sorvetes a base de iogurte.
5) A partir da coalhada seca, pode-se fazer o tzatziki, deliciosa iguaria da cozinha grega.
6) A partir da coalhada/iogurte, pode-se fazer o chancliche, um queijo delicioso.
Portanto, pratique bastante, pois em breve passarei estas receitas também!

Abçssssssssssssss
Cris
Pandora Danças – Especializados em Cultura Oriental

Receita de Esfiha – Original

Atendendo a pedidos de amigos e alunas do Pandora Espaço de Danças, estaremos publicando no nosso blog algumas receitas típicas do Oriente Médio!

E já que o frio chegou para ficar no nosso hemisfério, nada melhor que uma esfiha quentinha para aquecer o nosso dia!
Em primeira mão compartilho com vocês uma receita extraída da cozinha de uma libanesa autêntica, minha sogra, que além de cozinhar muito bem é super cuidadosa e detalhista.
Já fiz esta receita várias vezes, e é realmente muito gostosa!
Façam e comam sem culpa, deixem para se preocupar em gastar as calorias nas aulas de dança!!
MASSA
1/2 copo de óleo

1/2 copo de leite morno

1/2 copo de água morna
1/2 copo de açúcar
1 ovo
2 tabletes de fermento biológico
+/- 1Kg de farinha
sal a gosto
Dissolva o fermento no leite morno e junte a água e o açúcar, deixe descansar até formar umas manchas na superfície da mistura.
Coloque 1/4 da farinha numa vasilha grande, bata o ovo e o óleo até ficar homogêneo e junte à farinha.
Junte a mistura do fermento e amasse juntando farinha até a massa desgrudar da mão, amasse bem, deixando a massa bem lisinha e juntando o sal.
Cubra e deixe descansar em local quentinho livre de correnteza até dobrar de tamanho, mais ou menos 20 a 40min (geralmente deixo em cima do fogão com o forno ligado no mínimo).
RECHEIO
300gr de patinho ou coxão mole moído
4 a 6 tomates maduros
1 cebola
salsinha (se quiser)
sal, pimenta do reino, pimenta branca, cominho, canela e tahine ou azeite (a gosto)
Pique os tomates e a cebola e misture todos os ingredientes.
MODO DE PREPARO
Numa mesa ampla e polvilhada com farinha separe a massa em bolinhas do tamanho de uma pão de queijo médio e deixe descansar uns 10min (até perceber que cresceram), abra-as com um rolo em disquinhos (mini pizzas) e coloque o recheio ao centro, feche as pontas do disco para esfihas fechadas formando triângulos, ou apenas espalhe o recheio no disco de massa para esfihas abertas.
Leve ao forno bem quente, demora de 5min a 10min cada fornada!
Rende em média 15 a 20 esfihas médias.
DICAS:
Para quem não come carne ou quer variar, pode substituir a carne por ricota, chancliche ou queijo fresco, ou então fazer uma mistura de zattar (tempero árabe) e azeite e pincelar na massa antes de assar, daí temos o MANOUCHE, iguaria bem comum nos desjejuns libaneses.
Mantenha o local onde estará manipulando a massa aquecido e livre de correnteza de ar.
Comece a abrir os disquinhos pelas bolinhas que fez primeiro e que já descansaram por mais tempo.
Use fermentos muito frescos, quanto mais branquinho estiver, melhor.
Deixe o forno no máximo, esfiha gosta de forno bem quente.
Cristina Antoniadis esteve a frente do Café Aman, taverna e casa de shows grega e árabe entre 2004 e 2007, onde uma de suas diversas funções era de chef de cozinha!
Bom apetite!!!!

Entrevista com Márcia Dib

Seguindo com as entrevistas dos profissionais que atuam no Pandora Espaço de Danças, estamos publicando esta semana uma entrevista muito especial com a pesquisadora, professora, coreógrafa e mestre em cultura árabe Márcia Dib.

Fiquei muito encantada com esta entrevista, e aproveito para convidar a todos a participarem do curso que estaremos iniciando no dia 31/03/2012.

Um curso destinado ao estudo dos folclores árabes, suas características, procedências e diferenças. O curso terá duração de 4 meses, 1 sábado por mês, das 10h30 as 12h30.

ESTUDO DOS FOLCLORES – com Márcia Dib
Destinado a homens e mulheres de todos os níveis de aprendizado (31/03, 05/05, 02 e 30/06)
investimento: 4 x R$90,00 ou R$325,00 a vista.
VAGAS LIMITADAS

Inscreva-se: pandora@pandoradancas.com

ENTREVISTA:

PD: Márcia, como você iniciou seus estudos nas danças orientais?

MD:Já havia feito aulas de outras modalidades de dança mas, quando eu comecei a praticar a dança oriental, não quis mais parar, senti que ali estava meu lugar. Depois disso, fiz aulas com diversas professoras em São Paulo e Nova York.


PD: O que te motivou a estudar e pesquisar os folclores árabes?
MD: Quando fui estudar a dança oriental na Síria, encontrei uma riqueza inesperada: as danças folclóricas. Percebi que aquelas danças, tão variadas e bonitas, me tocavam profundamente, e decidi estudá-las mais a fundo.

PD: Qual a importância de se estudar os folclores para quem estuda a dança do ventre ou dança oriental “Raks El Sharki”?
MD: Eu não acho que uma bailarina com foco na dança do ventre deva, necessariamente, estudar as danças folclóricas. Se ela se sentir atraída e motivada, se quiser estudar realmente a origem, a motivação e a técnica das danças folclóricas, deve fazer isso! Mas se o objetivo dela for colocar alguns números de dança folclórica apenas para “incrementar” seu show (muitas vezes desrespeitando o figurino, a música e o contexto dela), acredito que deveria pensar melhor, para não usar o folclore de forma leviana. Às vezes acontece de uma aluna procurar as danças folclóricas apenas como um “enfeite” e depois se apaixonar por elas e começar a estudá-las seriamente. As danças folclóricas são maravilhosas e um universo riquíssimo em gestos, intenções e músicas. Com certeza qualquer bailarina terá seu repertório artístico e cultural ampliados ao estudá-las!

PD: Você é de descendência árabe, mais precisamente Síria, como foi para você e sua família a sua escolha em seguir o caminho das artes?
MD: Eu nunca havia ouvido uma música árabe em casa, ninguém dança, nada mesmo! Foi um gosto meu, que se desenvolveu aos poucos. No início meus pais  não levaram muito a sério, mas depois, quando perceberam a minha dedicação e seriedade, assim com os resultados de meu trabalho, ficou claro que não era uma mania ou capricho, mas algo muito forte que estava acontecendo dentro de mim.

PD: No que você acha que sua descendência mais contribuiu para seus estudos e formação?
MD: Acredito que herdamos muito mais que a cor dos olhos ou algum traço de personalidade. Só quando eu fui para a Síria, soube que muitos de meus antepassados tocavam e dançavam, e minhas primas dançam maravilhosamente, nas festas da família. Eu me sentia “em casa” enquanto estava aprendendo determinadas danças; acho que isso também é herança! Sinto correr nas minhas veias um amor pela cultura árabe que me levou a abandonar duas profissões (sou formada em arquitetura e fiz teatro profissional por vários anos) e me move a ir cada vez mais fundo nesta área. Além disso, respeito muito minhas origens, e procuro estudar seriamente a cultura e suas manifestações, procurando fugir dos estereótipos e imagens distorcidas.

PD: Sabemos que você passou um período no Oriente estudando as danças e cultura árabe. Conte-nos um pouco como foi essa experiência.
MD: Como disse, a riqueza e a diversidade da danças folclóricas foram uma agradável surpresa para mim. Aos poucos, nas aulas e estágios que fiz na Síria, fui entendendo que a dança folclórica é muito forte e, quando é levada para o palco, exige ainda mais criatividade e destreza.  Meu corpo foi entendendo a expressividade presente na dança de cada região. Cada lugar tem sua própria dança e música, com seu tônus muscular, sua intenção, seus gestos… É um mundo novo, enorme! Se pensarmos que cada país tem esta diversidade e riqueza, vamos ampliar a maneira como vemos as danças folclóricas e o próprio Oriente Médio.

PD: Você escreveu um livro sobre música árabe. Por que você sentiu essa necessidade e qual a importância de se ter um bom conhecimento no assunto para quem estuda as danças orientais?
MD: Eu estudei música ocidental por muitos anos, piano e canto. Cantei profissionalmente em dois grupos, gravei um CD, enfim, a música sempre esteve muito presente em minha vida. O livro é uma parte de meu mestrado, no qual discorri sobre a música e dança da Síria e, para isso, tive que aprofundar meus estudos também na música oriental. Eu já havia feito , há muitos anos atrás, aulas com Sami Bordokan, que me ajudaram muito a entender esse universo. Foram 2 anos de aulas particulares, um curso bem intensivo e focado. Aprendi muito com ele!. Depois estudei música na Síria também, além de ler bastante sobre o assunto. Achei importante escrever o livro por ainda não haver nada escrito em português sobre esta música maravilhosa e, quando fiz o mestrado, tive dificuldade em encontrar bibliografia apropriada. Por isso quis dar minha contribuição. Além disso, tenho a convicção de que, se compararmos duas bailarinas com o mesmo nível técnico, dança melhor aquela que conhece música: ela dança com mais propriedade, segurança, aproveita melhor as linhas melódicas e rítmicas, as pausas. Por todos estes motivos decidi escrever o livro.

PD: Como você vê o desenvolvimento da dança oriental e dos folclores árabes aqui no Brasil. Em quais aspectos você julga que os profissionais brasileiros deixam “a desejar” e em quais você acha que são exemplares?
MD: Por um lado, existem muitas pessoas praticando e estudando, o que é bom. Depois de um “boom” inicial, agora as pessoas têm procurado mais informações sobre a dança, a música, a cultura árabe, enfim, uma boa formação, o que é ótimo!  Por outro lado, sinto que o “mercado” leva muitas pessoas a tratarem a dança simplesmente como um produto. O espetáculo de dança tem sido, muitas vezes, um “show de variedades”. As bailarinas se sentem obrigadas a ter uma novidade, a fazer o passo ou a dança da moda, a incorporar elementos mesmo que ainda não tenha muito conhecimento ou experiência.  Isso me incomoda bastante, acho que empobrece algo que poderia ser muito maior e especial.

PD: Qual aspecto você julga de extrema importância para quem quer estudar os folclores de uma determinada região?
MD: Acho que o principal é ter  vontade sincera de conhecer aquela manifestação cultural e artística. Um olhar atento e o pensamento aberto, sem achar que já sabe, já conhece. Cada região pode nos mostrar um mundo novo! Existem danças que partem de uma mesma motivação – por exemplo, buscar água no poço – mas se manifestam de maneira diferente em cada lugar. É aí que está a riqueza das danças folclóricas.

PD: Você também tem uma pesquisa e estudo das danças palacianas, no que elas diferem dos folclores?
MD: Ao contrário das danças folcóricas, que nascem do povo e possuem movimentos conhecidos e praticados por todos, as danças palacianas são feitas para serem mostradas para alguém, sejam nobres ou governantes, e exigem bailarinos altamente treinados, que executam movimentos amplos, graciosos, mas nem sempre orgãnicos e naturais. São danças que procuram a Perfeição, a Beleza, a Harmonia. São danças lindas e pouco conhecidas, trabalhadas sobre músicas eruditas complexas e belíssimas!

PD: Cite alguns nomes de professores e mestres que fizeram diferença na sua vida e por que.
MD: Foram muitos os que contribuíram  e ainda contribuem – para minha caminhada! Desde meus professores e colegas de piano, canto, teatro, cenografia, iluminação, arquitetura, até pessoas amigas que me ajudaram – mostrando um novo jeito de ver as coisas e as pessoas – e não sabem disso. Em relação aos professores e mestres, além de Sami Bordokan que, como eu disse, abriu meus olhos, ouvidos e coração para a música árabe, devo muito aos meus professores na Síria (música árabe e danças folclóricas) e em Nova York (dança do ventre) . Aqui no Brasil, minha gratidão vai especialmente para Fadua Chuffi, com quem aprendi muito sobre a dança oriental. Eu já havia feito aulas com mais de 10 professoras, mas com ela entendi a riqueza e a seriedade de estudar essa dança com profundidade. Fiz vários anos de aulas particulares e em grupo com ela e tive uma base sólida, que me permitiu vôos mais altos. Eu devo muito também às minhas colegas, com quem aprendi bastante e sempre; e às minhas alunas, que me renovam a cada dia.

PD: Qual conselho você daria para as estudantes e profissionais que pretendem seguir a carreira profissional na dança?
MD: Acredito que a bailarina deve procurar ser sincera na sua dança, evitar seguir modismos e procurar saber o que diz seu corpo, coração e mente. Ela deve respeitar a dança que escolheu que, sendo uma dança étnica, tem aspectos culturais “embutidos” nela que devem ser estudados e levados em consideração. Deve também ter a humildade de saber que sempre é possível aprender mais, subir um pouco mais a montanha do conhecimento para ter uma vista mais ampla e conseguir olhar mais longe. Deve procurar aprender com os erros, seus e dos outros. Respeitar suas colegas e todos os que colaboram com a aula ou o show. Ver muitos espetáculos, de vários tipos de dança, ouvir muita música. Enfim, se abrir para o mundo das artes e não se deixar empobrecer, tentando caber num estereótipo imposto pelo mercado. E, finalmente, deve agradecer por danças tão bonitas existirem e enfeitarem nossas vidas!



Márcia Dib também tem um blog com artigos muito interessantes para estudo da cultura árabe, não deixe de acessar, clique aqui.

Agradecimentos mais do que especiais a Márcia por esta riquíssima entrevista!!

Quem será o nosso próximo entrevistado?? não percam!!
bjsssss
Cristina Antoniadis